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Archive for the ‘Poesia’ Category

Borboletas de Sol de Asas Magoadas‏ - Festival do Teatro BrasileiroSinopse: O travesti Betty recebe em sua casa seus visitantes-espectadores. Através de uma conversa informal, expondo particularidades de seu cotidiano, Betty pretende humanizar sua figura, desmistificar as travestis, romper clichês e preconceitos. A atriz recebeu pelo espetáculo o Prêmio Açorianos “Atriz Revelação” – RS e foi indicada ao Prêmio Qualidade Brasil- Melhor Atriz de Comédia – São Paulo.

“Borboletas de SOL de Asas Magoadas” nasceu como projeto de graduação de Evelyn Ligocki no Departamento de Arte Dramática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em 2012 o espetáculo completa 10 anos de existência e continua a ser aprimorado por Evelyn Ligocki, atualizado e inovado a cada temporada. Borboletas foi baseado nas entrevistas e conversas da pesquisa de campo e em improvisações. Com o público, o texto ganha novos tons entre uma apresentação e outra.

 SERVIÇO:  

Borboletas de Sol de Asas Magoadas‏ – Festival do Teatro Brasileiro – CENA GAÚCHA

Teatro Goiânia Ouro, Rua 3 CENTRO – 21 Horas

Censura: 14 anos

R$20 Interira

R$10 Meia

Ficha Técnica

Gênero: Drama

Faixa etária: 14 anos

Tempo de duração: 60 minutos

Ficha Técnica

Atuação, concepção e criação – Evelyn Ligocki
Direção – Evelyn Ligocki
Iluminação – Eduardo Gabriel Alves
Assistente de Produção — Ipê Andrade
Produção — Evelyn Ligocki

Por Esley Zambel

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Há exatos 370 dias atrás neste mesmo horário estava em uma sala de um hospital com 2 médicos 1 anestesista e 3 enfermeiras.

A  mais intensa cirurgia da minha vida.

O bisturi que percorreu meus membros as mãos que retiram minhas veias não fizeram apenas um procedimento cirúrgico. Este fato mudou minha vida.

A mudança desde o dia 10 de Fevereiro foi intensa.

A vida tem basicamente 2 caminhos de livre escolha.

Um é quase errado – acomodado e alienado.

Um é quase certo –  ousado e liberto.

Não vou relatar os detalhes desta mudança. Nem fazer aniversário de certas datas.

Reza a lenda que não devemos comemorar aniversário de coisas ruins.

Quero apenas dar um conselho.

Mude…

Mas comece devagar,

porque a direção é mais importante

que a velocidade.

 

Sente-se em outra cadeira,

no outro lado da mesa.

Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,

procure andar pelo outro lado da rua.

Depois, mude de caminho,

ande por outras ruas,

calmamente,

observando com atenção

os lugares por onde

você passa.

Tome outros ônibus.

Mude por uns tempos o estilo das roupas.

Dê os teus sapatos velhos.

Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira

para passear livremente na praia,

ou no parque,

e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche as gavetas

e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama…

depois, procure dormir em outras camas.

 

Assista a outros programas de tv,

compre outros jornais…

leia outros livros,

Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.

Ame a novidade.

Durma mais tarde.

Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia

numa outra língua.

Corrija a postura.

Coma um pouco menos,

escolha comidas diferentes,

novos temperos, novas cores,

novas delícias.

Tente o novo todo dia.

o novo lado,

o novo método,

o novo sabor,

o novo jeito,

o novo prazer,

o novo amor.

a nova vida.

Tente.

Busque novos amigos.

Tente novos amores.

Faça novas relações.

 

Almoce em outros locais,

vá a outros restaurantes,

tome outro tipo de bebida

compre pão em outra padaria.

Almoce mais cedo,

jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado…

outra marca de sabonete,

outro creme dental…

tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.

Vá passear em outros lugares.

Ame muito,

cada vez mais,

de modos diferentes.

Troque de bolsa,

de carteira,

de malas,

troque de carro,

compre novos óculos,

escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,

quebre delicadamente

esses horrorosos despertadores.

 

Abra conta em outro banco.

Vá a outros cinemas,

outros cabeleireiros,

outros teatros,

visite novos museus.

Mude.

Lembre-se de que a Vida é uma só.

Se você não encontrar razões para ser livre,

invente-as.

Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,

longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.

Troque novamente.

Mude, de novo.

Experimente outra vez.

 

Você certamente conhecerá coisas melhores

e coisas piores do que as já conhecidas,

mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança,

O movimento,

O dinamismo,

A energia.

Só o que está morto não muda !

 

Edson Marques

Estou tentando ser o amante de todos os portos, coração navegante de todos os navios. Tenho tentado voar, porque nada é pesado pra quem tem asas.

Predominantemente romântico, tenho acumulado memórias e guardado sentimentos.

Não existem motivos pra chorar, porque no fim não existe nenhuma razão.

Tudo que morre é sagrado e remove as montanhas.

Arrumando as malas, recolhendo o juízo.

Não há lugar melhor no mundo do que a nossa casa do que a casa da gente.

Dica do Post –

 

 

 

 

 

 

Esley Zambel* In Pessoal bem pessoal. {instantes extremos de insana lucidez}

PS: Eu não estou triste e nem  melancólico, hoje estou cansado e reflexivo, resiliente.

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É chegada a grande hora…

Um novo ano esta por começar e as expectativas para uma nova jornada tomam forma, brilho e cor.

Acredito muito que 2010 será um ano de recompensa. Eu não quero dizer Adeus Ano Velho, porque preciso e faço questão de lembrar de tudo que se passou, isto é o que fará os erros não se repetirem.

Quero agradecer por tudo, todos os livramentos e acidentes. Todos os sorrisos e olhares.

Quero agradecer a cada um de vocês que visitam este Blog, não vou falar de números, porque não é a minha intenção, mas é bom saber que o público é o mesmo, que amizades foram feitas e que a contagem saiu de controle.

Como estamos em um novo ano, nada como começar com coisas novas, então, prometo surpresas, novidades para 2010. vocês irão se surpreender.

E para que tudo flua de uma forma límpida eu convido…

Me abrace! É de graça e faz bem.

Tem tantas pessoas no mundo que precisam de carinho, atenção…

No mínimo um abraço aconchegante. Um abraço é capaz de fazer

milagres na vida de uma pessoa!

Vamos nos juntar, chame seus amigos e abraçaremos as pessoas que tanto precisam.

Será bom para eles e para nós também.

O encontro do “Free Hugs” será no dia

3 de janeiro de 2010 no Parque Flamboyant a partir das 14 horas!

Faça um pequeno cartaz pedindo abraços, seja criativo!

Vamos passar boa energia e torcer para que 2010 seja um ano

maravilhoso! Abrace você também essa causa! \o/

acesse o linkhttp://www.youtube.com/watch?v=vr3x_RRJdd4

Feliz Ano Novo
Glückliches Neues Jahr
Nytar
Feliz Año Nuevo
Felicigan Novan Jaron
Heureuse Nouvelle Année
Feliz Aninovo
Shaná Tová
Happy New Year
Felice Nuovo Anno
Akemashite Omedetou Gozaimasu

 

Feliz ano novo…


De repente, num instante fugaz, os fogos de artifício anunciam que o ano novo está presente e o ano velho ficou para trás.

De repente, os olhos se cruzam,
as mãos se entrelaçam e os seres humanos,
num abraço caloroso, num só pensamento,
exprimem um só desejo e uma só aspiração:
 

PAZ E AMOR.

De repente, não importa a nação, não importa a língua, não importa a cor, não importa a origem, porque todos são humanos e descendentes de um só Pai, os homens lembram-se apenas de um só verbo: amar. 

 De repente, sem mágoa, sem rancor, sem ódio, os homens cantam uma só canção, um só hino, o hino da liberdade.

De repente, os homens esquecem o passado, lembram-se do futuro venturoso, de como é bom viver.

De repente, os homens lembram-se da maior dádiva que têm: a vida.  

De repente, tudo se transforma e chega o ano radiante de esperança, porque só o homem pode alterar os rumos da vida.

Viva, grite, acumule alegria.

2010 É O ANO DA CONQUISTA…

Que possamos ser julgados pelo caráter, não pela cor, raça, sexualidade, religião. . .

Amor pleno a todos.

 

 

 

Esley Zambel* Aguardem – Versão 2.0 tração nas 4 rodas

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A estréia do Show no Canecão foi sucesso absoluto. Depois de passar por 6 capitais Maria Bethânia chega a Brasília para encerrar sua turnê de 2009.

O espetáculo “Amor Festa e Devoção” terá duas apresentações na maravilhosa sala Villa-Lobos no Teatro Nacional Cláudio Santoro.

Este Show resulta dos dois últimos trabalhos de Bethânia intitulados de TUA e ENCANTERIA. O primeiro, com o título da canção homônima de Adriana Calcanhoto, traz um repertório de canções de amor. Já o segundo, de celebração e festa, ganhou o nome de uma das canções e letras de Paulo César Pinheiro presentes no disco. Os álbuns trazem 22 canções, todas inéditas.

Amor Festa e Devoção “São palavras que me dão norte e que têm como subtexto a fé, a esperança e a caridade, características fortes em minha mãe”, explica Bethânia – que dedica o show à Dona Canô. “Isso explica a energia e o seu estado de espírito para com a vida, os 102 anos de idade. Só agora consigo traduzir em música, intenção e gesto tudo que ela representa para mim”.

Bia Lessa assina a Direção e o Cenário do espetáculo o roteiro ficou por conta da própria Maria Bethânia com Fauzi Arap, Lauro Escorel, premiado diretor de fotografia de cinema, assina a iluminação do show.

E é esse olhar inovador que Maria Bethânia trouxe para este show, acompanhada de uma banda menor – sob a regência de seu maestro Jaime Alem – que privilegia sua voz e a assinatura ímpar de sua interpretação, com mais espaços e silêncio, num clima mais intimista. Um cenário com poucos elementos reflete a simplicidade desse momento, com um quê de uma pequena cidade do interior e um pé na urbanidade. Uma referência a Santo Amaro, a Dona Canô e também à pluralidade dos ritmos no seu canto.

É o chão salpicado de rosas vermelhas, a madeira de tábua envelhecida, o manto também com rosas vermelhas e pequenas luzes internas que alternam cores, posição e ritmo. No cenário também há vários pequenos quadros com fotos de Anna Mariana (de fachadas de casas populares do interior do Nordeste) retratando a fé, as pessoas e as coisas do Brasil. Detalhes tão presentes no canto dessa intérprete que, com novas abordagens musicais, se embrenha pela musicalidade de um Brasil remoto, interiorano, caipira, sertanejo, litorâneo. E que vai buscar canções desconhecidas ou à margem de um País urbano, porém repleto de religiosidade.

Maria Bethânia a nossa DIVA diz “ A voz não é minha é das sereias”, e julga-se predestinada a música, em entrevista a revista BRAVO.

 

“Nasci para o que faço. Já na infância, me comportava de maneira incomum. Andava maquiada por Santo Amaro como uma vedete, confeccionava minhas próprias roupas e imitava os personagens das peças que o grupo local de teatro montava. O povo da cidade morria de vergonha. Evitavam a minha companhia. Somente o Caetano me apoiava. Eu avisava: “Não adianta reclamar, pessoal! Sou do palco, vou viver do palco”. Não suspeitava ainda que iria cantar. Pretendia virar trapezista. Circo me atraía muitíssimo. Uma ocasião, caí de amores por um palhaço, o Poli, mal o avistei no picadeiro. Paixão doida, de cinema! Fiquei tão envolvida que arrumei um jeito de conhecê-lo sem máscara. Era um homenzinho calvo, quase sexagenário. “Vou fugir com o senhor!”, repetia. O coitado, lógico, apenas gargalhava. Quando o circo partiu de Santo Amaro, me desmanchei de tanto chorar.”

 

 

Bethânia diz que os custos de seus espetáculos são de ópera e que sem os patrocínios não seria possível realizar.

FOTO: AMOR FESTA DEVOÇÃO - Mauro Ferreira

“A plateia pede um cenário elegante, uma iluminação de primeira, um som magnífico. Qualidade tem preço. Para subir num palco, preciso ensaiar 40 dias ou mais. Você sabe o que significa arcar com 40 dias de estúdio, técnicos, equipamento, músicos? Um absurdo! “Ah, a cantora também leva uma bolada.” Leva? Quem menos ganha é a cantora. Com despesas tão elevadas, você julga viável depender só da bilheteria? Não há Canecão lotado que cubra um espetáculo. Não há teatro no país que cubra – e olhe que os ingressos não são baratos, infelizmente. Sem patrocínio, amargaríamos prejuízo caso quiséssemos manter o alto nível dos shows. E, sem a lei(Lei Rouanet), não conseguiríamos patrocínio nenhum. Zero! Portanto…”

O Show Amor Festa e Devoção é considerado um dos mais intimistas e profundos de toda sua carreira.

Bethânia tem o poder de tocar a alma das pessoas, de fitar as cores em preto e branco pela sua voz poética e pela sua figura desconstruída de DIVA.

Maria é só talento, voz e palco. Amor festa e devoção. 

E para conferir as últimas apresentações de 2009 teremos que ir a Brasília nossa Capital Federal, o  magnífico Teatro Nacional abriga nossa cantora maior nos dias 17 e 18 de Dezembro. Quem puder ir, é garantia de arrebatamento, não apenas pela Bethânia que já fala e emociona por si só, mas também pelo clima formidável que é Brasília em Dezembro e também pela sala Villa-Lobos que de todas em que pude me apresentar, foi a que me tirou a alma pela boca e me fez delirar.

  • Serviço –

 

Maria Bethânia – Show “Amor Festa Devoção

Data: 17 e 18 de Dezembro
Hora: 21h
Local: Teatro Nacional – Sala Villa Lobos – Brasília DF

  • Ingressos
  • Inteira: R$ 300,00
  • Meia: R$ 150,00

 

Meia-Entrada válida para estudantes, professores, portadores de dificuldades de locomoção, idosos, e doadores de 1 Kg de alimento não perecível.

Portador do Cartão OUROCARD tem desconto de 30% (trinta por cento) no valor de inteira (um ingresso por cartão).

Será exigida e apresentação de documento na compra e na entrada.

Telefones: (61) 3365-2993 / 8156-9563

Valores dos ingressos sujeitos à alteração sem aviso prévio.

Censura: 12 e 13 anos acompanhados dos pais ou responsável legal. Não será permitida a entrada de menores de 12 anos.

PS: Parte do artigo é do release do espetáculo enviado pela produção do Show ao Blog Cicuta.

 

 

 

Dica do Post – CD Encanteria

Hoje é dia de festa, então a minha preferida de Bethânia tem que ficar marcada.

Cartas de Amor – Fernando Pessoa

 

Maria Bethânia

Todas as cartas de amor são Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras, Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas.
Afinal, só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor,
É que são Ridículas.

Porém não tive coragem de abrir a mensagem
Porque, na incerteza, eu meditava
Dizia: “será de alegria, será de tristeza?”
Quanta verdade tristonha
Ou mentira risonha uma carta nos traz
E assim pensando, rasguei sua carta e queimei
Para não sofrer mais

Quanto a mim o amor passou
Eu só lhe peço que não faça como gente vulgar
E não me volte a cara quando passa por si
Nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor
Fiquemos um perante o outro
Como dois conhecidos desde a infância
Que se amaram um pouco quando meninos
Embora na vida adulta sigam outras afeições
Conserva-nos, caminho da alma, a memória de seu amor antigo e inútil

 
 
 
 
 
 
 
Esley Zambel* Vamos ver Bethânia?

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Etimologia

A palavra ‘natal’ do português já foi ‘nātālis’ no latim, derivada do verbo ‘nāscor’ (nāsceris, nāscī, nātus sum) que tem sentido de nascer. De ‘nātālis’ do latim, evoluiram também ‘natale’ do italiano, ‘noël’ do francês, ‘nadal’ do catalão, ‘natal’ do castelhano, sendo que a palavra ‘natal’ do castelhano tem sido progressivamente substituída por ‘navidad’ como nome do dia religioso.

Já a palavra ‘Christmas’ do inglês evoluíu de ‘Christes maesse’ (‘Christ’s mass’) que quer dizer missa de Cristo.

****

Então Natal é renascimento, celebra-se a vida!

Alguém poderia me explicar que músicas são aquelas que tocam nas lojas Americanas de todo País?

Para tudo! Não entro mais lá até Fevereiro. Me deu depressão. Agonia. Pânico. Que horror! Me despertou todos os sentimentos ruins, menos de vida. Coisa triste.

Queria entender porque que no Natal as pessoas ficam boas e sensiveis. Fazem promessas e planos de mudanças.

No próximo ano vou emagrecer / Começar a academia / Parar de fumar / Parar de beber, ou beber menos / Arrumar um novo emprego / Namorar / Esquecer o (A) ex / Ter mais tempo pra familia / Viajar / Transar mais

E blá blá blá…

Coisa chata! Este fim de ano me peguei com um super projeto filantrópico de ajuda ao lar dos velhinhos de Goiânia, estou organizando tudo, uma equipe super dedicada, mobilizamos toda a empresa em prol do próximo. Todo ano faço isso,  só no final do ano. Porque?

Velhinhos não sentem frio durante o ano?

Crianças não passam fome no mês de Junho?

As pessoas com câncer dão gargalhadas o ano todo, só ficam tristes em Dezembro?

Ai que hipocrisia a minha. Tudo bem! Em outros anos eu fiz alguns trabalhos sociais durante o ano, gosto e me faz bem ajudar o próximo, dar suporte a quem precisa, mas Dezembro parece que perdeu a graça.

A cidade fica mais bonita, iluminada. O horário de verão serve pra isso. Direcionar a energia para as luzes de Natal. E só.

Também… Na maior parte do ano somos tão injustos com nossas vidas.

Ficamos ensaiando e fitando coisas. Esperando o tempo resolver.

Que tempo é este que não chega? Não ouço o barulho do Tic Tac. Os ponteiros estão tetraplégicos. A pilha acabou. Você dá corda? 

Silêncio!

Com toda licença poética.

Vejo joelhos dobrados. Mãos cruzadas.

Velho é o escuro do seu quarto.

Sinto sua dor. Ouço sua respiração.

Pagão!

Minha culpa. Minha máxima culpa! DEVOÇÃO!

—–

Nossa! Viajei legal. Desculpa, eu precisava.

Pedindo… É o que fazemos no Natal. Pedir.

Um monte de pedintes hipócritas, egoístas. É o que somos.

Natal nada mais é que uma data comercial que faz o capital girar, afinal de contas o 13° serve pra isso, presentear, comprar, comprar, comprar. Decorar a casa com luzes de Natal, jogar fora as coisas velhas, comprar coisas novas.

E as lembranças nas caixinhas que ficam no fundo do guarda roupa, o que faremos com elas?

Jogamos fora e compramos outras?

Guardamos e esperamos morrer?

Estes dias estava lendo uma crônica que aconselhava jogar o velho fora para dar lugar as coisas novas. De certa forma tem sentido. Mas tem coisas que não se pode jogar fora. Principalmente no fim de ano.

Deve ser pecado. Eu não quero mais pecados. AVE MARIA!

Este ano vou manter as caxinhas. Ainda não estou pronto pra jogar coisas fora. Eu acredito muito em história. Principalmente quando são dramáticas e irônicamente belas.  

Ontem assisti New Moon – Filminho de Emo né? Me identifiquei muito com a história. Me peguei em alguns momentos dentro do filme.

Meu voto seria não. Bella não deve se transformar. O Amor cega.

Por isso tenho certeza que não posso jogar coisas fora. Eu preciso delas perto de mim. Mesmo sem ver. Como uma árvore de Natal velha que só nós sabemos o porque guardamos e qual significado tem. E quando montamos ela, esta possui uma beleza incomparável e ficamos com olhos lacrimejando, olhando, lembrando por horas aquele tempo que nos fazem respirar e apertar o ar.  Os sentimentos se misturam, vem alegria e arrependimento, vontade de ficar e ao mesmo tempo caminhar. Uma renovação indescritivel e uma lembrança do passado que teima em ficar.

Sei que passa, já passei por isso e isso já passou por mim.

 

Dica do Post – http://www.youtube.com/watch?v=ZF5RiN6lF7s

Mesmo que seja pelo mesmo.

Esley Zambel* Então é Natal?

PS: Texto sem revisão – Errinhos e errões

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Clarice_Lispector_I

Esta é uma matéria do Jornal The New York Times por Tomás Eloy Martinez

Tradução: Eloise De Vylder

 

tnyt

 

 

Há pouco mais de meio século, a força de transformação da literatura da América Latina assombrava os países centrais, que haviam alcançado a modernidade graças ao desenvolvimento de suas indústrias, suas descobertas tecnológicas, suas redes de comunicação, seus trens e aviões. Mas sua linguagem e sua capacidade de narrar a sociedade estavam apergaminhadas, cansadas, e supriam a falta de ideias e sangue novos com jogos teóricos que não levavam a lugar nenhum. Na América Latina, o afã de criar esse mundo novo expresso pela revolução cubana parece ter se concentrado na literatura.

Clarice Lispector, em foto de 1976

  • Folha Imagem

Enquanto os países do Rio da Prata, México e Colômbia respiravam a plenos pulmões os novos ares, o gigante Brasil mantinha-se impermeável a tudo o que não vinha de si mesmo. O Brasil mudava de pele, mas se alimentava de sua própria música e de sua própria herança literária. Certa vez perguntaram a João Gilberto por que ele fazia tão poucos shows no estrangeiro, onde sua música tinha um sucesso clamoroso.

“Para quê?”, respondeu. “No Brasil meu público é tão numeroso como no resto do mundo e, além disso, ele me escuta com mais felicidade”.

Em meados do século 20, o grande nome da literatura brasileira continuava sendo o de Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908), que escreveu uma sucessão de obras mestras mediante o simples recurso de observar atentamente a paisagem interior dos pensamentos e dos sentimentos para contá-los de uma maneira incomum, inesperada. Um de seus maiores herdeiros é João Guimarães Rosa, que impressiona mais do que tudo por seu virtuosismo verbal e pelo ouvido finíssimo com que capta a música das vozes do sertão, no nordeste profundo de seu gigantesco país.

Entretanto, a única filha direta e legítima de Machado de Assis é Clarice Lispector, cuja obra misteriosa começa a difundir-se nos Estados Unidos com tanto ímpeto quanto a de Roberto Bolaño. O chileno foi consagrado pela revista The New Yorker, e o influente The New York Review of Books rendeu tributo a Lispector com um ensaio extenso de Lorrie Moore, a jovem deusa do minimalismo.

Moore adverte que a fama magnética de Lispector se deve em parte aos estudos sobre sua obra reunidos por Hélène Cixous, a quem as universidades francesas devem o apogeu dos estudos sobre a mulher. Na França, recorda Cixous, a extraordinária abstração da prosa de Lispector fez com que a vissem como uma filósofa. Quando ela assistiu a um encontro de teóricos sobre sua obra, abandonou a sala na metade da homenagem, dizendo que não entendia uma só palavra do jargão.

Uma das primeiras vezes que se ouviu falar de Lispector em Buenos Aires foi no final dos anos 70, quando circulou a lenda de que ela havia se queimado viva em sua casa no Rio de Janeiro.

Em 1969 o mítico editor argentino Paco Porrúa havia publicado na editora Sudamericana alguns de seus livros: os romances “A Maçã no Escuro”, “A Paixão Segundo G.H.” e “Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres”, assim como os admiráveis contos de “Laços de Família”. Lispector rompia com todas as convenções da arte de narrar e arrancava de cada palavra um tremor secreto, enigmático. Suas revelações eram como as de um teólogo oriental participando de uma dança ritual africana.

Quando a lemos, deslumbrados, na revista “Primera Plana”, pensamos que era imperativo viajar para o Rio de Janeiro para decifrar seus segredos. Sara Porrúa, que na época era mulher de Paco, quis ser a primeira nessa busca.

As primeiras notícias que enviou dissipavam a fábula de que Lispector fora queimada viva. Sua cama havia se incendiado acidentalmente quando dormiu com um cigarro aceso. Mas a haviam resgatado a tempo. Sua estranha beleza tártara (os olhos amendoados e rasgados, as maçãs do rosto salientes, a constante expressão de angústia de seu rosto) havia desaparecido quando queimou o lado direito do corpo, imobilizando-lhe o braço. Nada, entretanto, apagava sua paixão por narrar o mundo.

Sara a encontrou mais algumas vezes e, com sua imagem intensa, inesquecível, perdeu-se nas selvas da Guatemala e transformou-se em personagem de Cortázar.

Dar uma ideia de sua imaginação só é possível através de algumas citações. O começo do romance “Uma Aprendizagem…” (1969) é uma frase que vem do nada. A porta de entrada desse livro é uma vírgula: “, estando tão ocupada, viera das compras de casa que a empregada fizera às pressas porque cada vez mais matava o serviço, embora só viesse para deixar almoço e jantar prontos…”.

Antes desse comentário doméstico e trivial, Lispector surpreendeu o leitor com uma advertência que é também uma afirmação de seu ser:

“Este livro se pediu uma liberdade maior que tive medo de dar. Ele está muito acima de mim. Humildemente tentei escrevê-lo. Eu sou mais forte que eu. C.L.”

E no final de “Água Viva”, ergue a voz: “Não vou morrer, ouviu, Deus? Não tenho coragem, ouviu? Não me mate, ouviu? Porque é uma infâmia nascer para morrer não se sabe quando nem onde. Vou ficar muito alegre, ouviu? Como resposta, como insulto”.

Seu desmedido desafio à morte impregna muitas das crônicas reunidas em “Revelación del Mundo”, que incluem todas as que escreveu para o Jornal do Brasil entre 1967 e 1973. Outras, inéditas, serão publicadas no ano que vem em espanhol sob o título de “Descubrimientos”.

Lispector continua sendo um enigma velado que assombra em cada frase, em cada desvio da vida. Morreu aos 57 anos de um câncer nos ovários, depois de ter passado os últimos anos fechada na solidão de sua casa do Leme, perto das areias de Copacabana.

Seu autorretrato cabe em uma frase: “Olhar-se ao espelho e dizer-se deslumbrada: Como sou misteriosa”.

Tomás Eloy Martínez

Analista político e escritor, o argentino Tomás Eloy Martínez é autor de livros como “Vôo da Rainha” e “O Cantor de Tango”.

 

Fonte: http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas-do-new-york-times/tomaz-eloy-martinez/2009/11/16/ult7201u13.jhtm

 

 

Que Clarice Lispector me alimenta a alma todos sabem. Tenho paixão singular por ela. E acreditem eu já vi Clarice Lispector.

Certa vez eu estava na casa de um caso meu. Muito bêbado após uma balada eu me peguei abraçando o vaso sanitário, estava fora do corpo de tanto álcool, olhei para o lado tive uma visão, a sobriedade mental me tomou. Era Clarice, parada, encostada na parede, fumando e observando a cena.

Era tão real que hoje encho a boca pra falar, EU SINTO CLARICE LISPECTOR. EU VI CLARICE LISPECTOR.

 

 

zambel

 

Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.

Clarice Lispector

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vaidade2aweb

Vaidade – Herbert Viana 
 
Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?
 Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu.
 Hoje, Deus é a auto imagem.
 Religião, é dieta.
 Fé, só na estética.
 Ritual é malhação.
 Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.
 Gordura é pecado mortal.
 Ruga é contravenção.
 Roubar pode, envelhecer, não.
 Estria é caso de polícia.
 Celulite é falta de educação.
 Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
 A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
 A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.
 Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.
 Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa. Não importa o outro, o a volta, o coletivo. Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição  política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
 Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal mas…
 uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas,

 de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser.

 Que alguém acorde.

 Que o mundo mude.

Que eu me acalme.

 Que o amor sobreviva. ”

HEBERT_VIANNA

 

“Cuide bem do seu amor, seja quem for” 
 Herbert Vianna

 

 

 

 

“Todo mundo ‘pensando’ em  deixar um  planeta melhor para  nossos  filhos…   Quando   é que ‘pensarão’ em deixar filhos melhores para o nosso planeta?”

 

 

 

zambel

 

Esley Zambel*

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